No Mês da Família, professora revive em colégio de Ribeirão Preto uma história que atravessa gerações

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Com avô e irmãos na unidade, Camila Rodrigues estudou a vida toda na instituição, formou-se em 1994, voltou como educadora e viu a filha crescer no mesmo ambiente que marcou sua infância

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Camila é a terceira estudante, da esquerda para direita, na segunda fileira de terceiroanistas do Marista Ribeirão, em 1994 – Créditos: Arquivo pessoal/Camila Rodrigues

Há histórias que não cabem apenas no álbum de família. Elas também ficam guardadas nos corredores da escola, nas salas de aula, nas quadras, nas orações, nas brincadeiras do recreio e nos rostos de professores que atravessam gerações. No caso de Camila Rodrigues, professora do Colégio Marista Ribeirão Preto, a própria trajetória se mistura à história da instituição.

Em maio, mês em que se celebra o Dia Internacional da Família (15/05), sua história mostra como o vínculo entre escola e família pode ir além da rotina escolar. Mais do que acompanhar o desempenho dos alunos, essa presença também pode construir memória, pertencimento e continuidade.

Camila estudou a vida toda no Colégio Marista Ribeirão Preto e se formou no Terceirão de 1994. Anos depois, em 2005, voltou à instituição como educadora. Também escolheu o mesmo local para a formação da filha, que ingressou em 2002 e estudou na instituição até 2015, vivenciando parte do ambiente que marcou a infância e a formação da mãe.

A relação da família com o colégio começou antes mesmo dela ser aluna. Seu avô, Geraldo Rodrigues, participou da fundação da fanfarra. Mais tarde, sua mãe lecionou ali entre 1982 e 1997. Ela e os dois irmãos também estudaram na unidade. Aos poucos, o Marista deixou de ser apenas uma escola e passou a ocupar um lugar íntimo na memória familiar.

As primeiras lembranças vêm carregadas de afeto. Camila recorda o avô tocando violão na sala de casa, os irmãos na rotina escolar, a mãe como educadora e os espaços que marcaram sua infância. “Até me emociono falando sobre isso. Minha mãe, meus irmãos, todos nós juntos. O colégio sempre foi, e continua sendo, como uma extensão da minha casa”, afirma.

Entre as imagens que ficaram na memória estão o campo enorme, o corredor com árvores grandes, as salas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I e a porta que levava ao parque de areia, com brinquedos de madeira. Também havia as brincadeiras de pular elástico no recreio, a espera pelo sinal perto da sala e os jogos de bola ao redor do mastro.

Em sua memória, o recreio tinha outro ritmo. Era tempo de brincar, correr, conversar e estar em grupo. Décadas depois, em um contexto no qual foi necessária uma Lei Federal para restringir o uso de celulares durante aulas, recreios e intervalos nas escolas de Educação Básica, essas lembranças ganham novo sentido. O contraste, mais do que comparar épocas, reforça a importância da convivência coletiva.

“Tenho muitas lembranças da minha infância. Minha mãe foi quem me alfabetizou, e isso torna tudo ainda mais especial. Lembro do campo enorme e daquele corredor com árvores grandes ao lado. Eu adorava aquele lugar”, relembra.

A memória afetiva também passa pelas pessoas. Camila lembra dos irmãos maristas, professores, colaboradores e colegas de turma. Cada um ajudou a construir a ideia de comunidade que ela carrega até hoje: o irmão Waldemar, com o molho de chaves no bolso; o irmão Rufino, que entrava nas salas para rezar ou cantar; o irmão Collombo, que fazia cartões de aniversário com caligrafia cuidadosa; além do Beto da pastoral, do Tio Ivo e de tantos professores que marcaram época.

Créditos: Arquivo Pessoal  image.jpeg

A decisão de matricular a filha na mesma escola também nasceu desse vínculo, era uma forma de permitir que uma nova geração da família vivenciasse o acolhimento, os valores e a convivência que marcaram sua própria história. “Minha filha também precisava viver e sentir tudo aquilo que eu vivi. Porque tudo o que desejamos para um filho é o melhor. E, para mim, não poderia ser diferente”, diz.

Com o passar dos anos, muita coisa mudou. O campo já não existe mais. Os irmãos não circulam pela escola como antes. Ainda assim, acredita que alguns elementos permanecem. A capela e a quadra da Marcondes continuam na paisagem afetiva da instituição. Mais do que isso, seguem vivos o cuidado, a escuta, a proximidade e o acolhimento.

“Muitas mães comentam: ‘O colégio é grande, mas não parece’. E essa frase diz muito sobre o que construímos aqui. Esse ‘não parece’ fala sobre proximidade, cuidado e vínculo. Nós, professores e colaboradores, fazemos questão de que as pessoas se sintam acolhidas. Aqui, o tamanho nunca significou distância”, afirma.

Inaugurado em 1938, o Colégio Marista Ribeirão Preto completou 88 anos de presença na cidade em 2026. Para Camila, essa história institucional se confunde com sua trajetória familiar. O que, para muitos, aparece como tradição educacional, para ela tem nome, rosto e memória: o avô ligado à fanfarra, a mãe professora, os irmãos como alunos, a filha que também estudou na instituição e sua própria atuação como educadora.

A mãe de Camila foi professora da Educação Infantil no mesmo colégio em que ela leciona hoje – Créditos: Arquivo Pessoalimage.jpeg

Para a diretora do Colégio Marista Ribeirão Preto, Lucia Montagnani, histórias como essa mostram como os vínculos construídos podem atravessar gerações. “A trajetória da Camila traduz, de forma muito sensível, o que significa pertencer a uma comunidade educativa. Quando uma ex-aluna retorna como professora e também escolhe o mesmo colégio para a formação da filha, percebemos que a escola é feita de memória, confiança e continuidade. São histórias assim que mantêm viva a relação entre famílias, educadores e instituição”, afirma.

Para Camila, o Marista representa uma soma de valores que atravessou sua vida como aluna, filha, mãe e professora. “Se eu tivesse que resumir o que o colégio representa para mim, eu diria: amor a Jesus em primeiro lugar. Humildade, escuta, presença, pertencimento, amizade, respeito ao próximo, à natureza e alegria”, conclui.

Saiba mais

O Marista Ribeirão Preto faz parte da rede de colégios e escolas do Marista Brasil, presente em 20 estados brasileiros, com cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos atendidos em 97 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de práticas pedagógicas diferenciadas, desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação. Saiba mais em: https://maristabrasil.org/

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