Tendências no ‘skincare’: como separar promessas de marketing da ciência real na rotina de cuidados
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Especialista em estética e imagem pessoal da UNIASSELVI traduz os jargões da indústria cosmética, alerta para os riscos de produtos inadequados e indica os ingredientes que realmente valem o investimento

Nas prateleiras e nas redes sociais, os consumidores são expostos diariamente a um bombardeio de tendências e promessas que vão desde a “penetração nas camadas mais profundas da pele” a resultados milagrosos. Para ajudar o público a fazer escolhas seguras e eficazes, Izadora Figueredo, professora do curso de Estética e Imagem Pessoal da UNIASSELVI, faz uma análise crítica sobre os reais efeitos dos ativos e jargões utilizados pela publicidade do setor.
Segundo Izadora, a mudança de estação tem impacto direto no comportamento do consumidor e na própria fisiologia da pele. “No inverno, por exemplo, tendemos a escolher ativos que promovam uma sensação de maciez e conforto contra a exposição ao frio. Isso implica o uso de produtos mais cremosos e espalháveis. No entanto, é preciso cautela, pois o uso de um produto inadequado ao seu tipo de pele pode gerar efeitos adversos, como excesso de oleosidade, ressecamento extremo e até reações alérgicas”, explica.
A professora alerta que o consumidor deve desenvolver um olhar atento para as chamadas “bandeiras vermelhas” do mercado. “Produtos que prometem resultados rápidos, sem comprovação de eficácia, devem ser observados com receio. Quando um rótulo alega penetrar em camadas profundas, na verdade ele age apenas na epiderme. É improvável que um cosmético comum possua capacidade de absorção profunda”, ressalta. O mesmo cuidado vale para o selo ‘dermatologicamente testado’ que, segundo a especialista, apenas garante que o produto passou por testes de segurança em humanos, mas não anula o risco de reações individuais.
Outro ponto fundamental para o sucesso do tratamento é a ordem de aplicação dos produtos. A regra geral recomendada pela docente é iniciar pelas texturas mais fluidas e leves, como os séruns, e finalizar com os produtos de barreira e deposição, como os hidratantes densos e o protetor solar. Para quem possui um orçamento limitado, Izadora sugere focar em três passos essenciais de regeneração: “O investimento certeiro deve ser em Vitamina C pela manhã, fotoproteção diária e hidratação com Vitamina B5 (Pantenol)”.
Fato ou Fake do Skincare
Com a velocidade das tendências de beleza na internet, muitas informações imprecisas e até perigosas acabam viralizando. A professora da UNIASSELVI esclarece os cinco principais mitos que dominaram as redes sociais recentemente:
- “Se arde, é porque está fazendo efeito.”
FAKE. A ardência e a pinicação severa não são sinônimos de eficácia, mas sim sinais claros de que a barreira cutânea está irritada ou lesionada. Um skincare eficiente e seguro não deve causar dor ou desconforto.
- “Crianças e adolescentes precisam de rotinas com retinol e ácidos fortes.”
FAKE. O uso precoce de ativos voltados para o rejuvenescimento (anti-aging) em peles jovens e saudáveis pode provocar queimaduras químicas e sensibilidade crônica. Nessa faixa etária, o cuidado deve se limitar à limpeza suave, hidratação básica e proteção solar.
- “O Sunscreen Contouring (contorno com protetor solar) é uma técnica segura.”
FAKE. A prática de aplicar protetor solar apenas em áreas específicas para deixar o restante do rosto bronzear naturalmente é altamente prejudicial. Dermatologistas alertam que a exposição parcial e desprotegida acelera o envelhecimento precoce e eleva o risco de câncer de pele. O protetor solar deve ser aplicado uniformemente.
- “Misturar vários ativos diferentes acelera o resultado.”
FAKE. A sobreposição desordenada de ingredientes potentes (como misturar ácidos AHA/BHA e Vitamina C na mesma aplicação) causa inflamação e o temido “efeito rebote” — que resulta em mais acne e oleosidade. A tendência atual é o Skinimalismo: rotinas simplificadas que respeitam a integridade natural do microbioma cutâneo.
- “Receitas caseiras ou produtos 100% naturais são sempre melhores.”
FAKE. Ingredientes naturais de cozinha (como limão, bicarbonato ou óleos essenciais puros) não passam por processos de estabilização laboratorial. Quando aplicados na pele e expostos ao sol, podem causar manchas severas, alergias e queimaduras graves. Fórmulas testadas e regulamentadas oferecem a segurança necessária para a saúde da pele.
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