Melatonina ganha espaço e tecnologia avança no desenvolvimento de formulações

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Mais de 30% dos brasileiros relatam sintomas de insônia; especialistas explicam o papel da substância e os avanços no desenvolvimento de suplementos

 

O ritmo acelerado da rotina, o uso constante de telas e a dificuldade de desconectar fazem do sono um tema cada vez mais presente nas discussões sobre saúde. Dados do Vigitel 2006-2024, levantamento do Ministério da Saúde sobre fatores de risco para doenças crônicas, mostram que 20,2% da população dorme menos de seis horas por noite, enquanto 31,7% relata sintomas de insônia.

A atenção crescente ao sono também tem colocado a melatonina em evidência. Produzida naturalmente pelo organismo, principalmente pela glândula pineal, a substância participa da regulação do ritmo circadiano, funcionando como um dos sinalizadores que ajudam o corpo a reconhecer os períodos biológicos de vigília e repouso. Na suplementação, além da presença do ativo, a forma como ele é incorporado ao produto também faz parte do desenvolvimento.

Segundo Gustavo Cadurim, farmacêutico, fundador e CEO da Yosen, empresa de base científica criada a partir de pesquisas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de Ribeirão Preto, esse é um aspecto importante na elaboração de suplementos.

“Uma formulação não é definida apenas pelo ingrediente que aparece no rótulo. A forma como esse ativo é incorporado, a estabilidade do sistema e o comportamento da formulação ao longo do tempo também fazem parte do desenvolvimento. É esse conjunto de fatores que precisa ser considerado quando se trabalha com diferentes ativos”, explica Cadurim.

A compreensão sobre o papel da melatonina também passa pela diferença em relação aos medicamentos utilizados para dormir. A nutricionista Camila Colombo explica que, apesar de aparecerem muitas vezes associados ao mesmo assunto, melatonina e medicamentos hipnóticos não devem ser tratados como equivalentes nem utilizados a partir de uma decisão própria.

“A melatonina está relacionada à sinalização do ciclo circadiano, enquanto medicamentos hipnóticos produzem uma ação farmacológica sedativa. A avaliação profissional é o que determina qual abordagem faz sentido para cada pessoa”, afirma.

Estudo brasileiro realizado por pesquisadores ligados à USP e ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, publicado na revista Sleep Science, identificou que 60% dos adultos com sintomas de insônia avaliados utilizavam medicamentos para dormir e cerca de 40% deles relataram uso sem prescrição.

A avaliação individual também deve considerar fatores que vão além da suplementação. Horários de sono, exposição à luz, hábitos, alimentação, atividade física, medicamentos em uso e possíveis condições clínicas ajudam a compor esse quadro.

“Antes de qualquer suplementação, é importante investigar horários de sono e vigília, exposição à luz, hábitos, medicamentos em uso e possíveis condições clínicas”, orienta Camila.

 

 

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