Universidades não ensinam o que o mercado do agro precisa, revela estudo que será apresentado em Ribeirão Preto
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Professor da Esalq/USP mostrará resultados de pesquisa com dezenas de profissionais no Congresso Paulista de Agronomia, nesta quinta-feira (22), na sede da AEAARP
A dificuldade para contratar profissionais qualificados no agronegócio levanta uma questão que vai além da disponibilidade de trabalhadores. O setor precisa de pessoas preparadas para acompanhar a modernização das propriedades, operar novas tecnologias e atender às demandas de um mercado em transformação. Ao mesmo tempo, cresce a discussão sobre a capacidade das universidades de formar profissionais alinhados a essas necessidades.
O tema será abordado nesta quinta-feira, 22, no XIII Congresso Paulista de Agronomia, em Ribeirão Preto, durante o painel “Quem vai produzir o agro do futuro? Os desafios do mercado de trabalho e da qualificação profissional”. Um dos destaques será a apresentação de um levantamento conduzido pelo professor Luís Reynaldo Ferracciú Alleoni, titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), com dezenas de profissionais da iniciativa privada, universidades e centros de pesquisa.
A pesquisa investigou a percepção desses profissionais sobre a escassez de mão de obra qualificada e identificou uma distância entre o que é ensinado nas universidades e as necessidades do mercado de trabalho.
“Fiz um levantamento com dezenas de profissionais da iniciativa privada, universidades e centros de pesquisa para conhecer a opinião deles sobre a escassez de mão de obra qualificada. Um dos pontos identificados foi a desconexão entre o que a universidade ensina e as necessidades reais do mercado. Vamos discutir essa questão a partir dos resultados do levantamento”, explica Alleoni.
O cenário encontra respaldo em dados nacionais. Estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizado em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), divulgado em agosto deste ano, apontou que 94,8% dos produtores rurais consultados enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores. Para 44,5%, a disponibilidade de mão de obra é o principal desafio da atividade, à frente de questões como custos, clima e preços.
A falta de profissionais preparados pode afetar o ritmo das operações, elevar despesas e dificultar a adoção de tecnologias. Por isso, a qualificação passa a ser uma questão estratégica para o setor, que precisa conciliar produtividade, inovação e formação de pessoas.
A programação também abordará a relação entre ensino superior e mercado de trabalho em uma mesa-redonda com representantes de instituições de ensino. Com o tema “Estamos formando o engenheiro agrônomo que o Brasil precisa? Universidade, mercado e inovação em debate”, o encontro reunirá Thiago Nogueira, professor da Unesp de Jaboticabal, Eliana Scaloppi, coordenadora do curso de Agronomia do Centro Universitário Moura Lacerda, e David de Almeida Pereira, professor da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram). A moderação será de Marco Antonio Jacomazzi, diretor da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP).
Outro eixo da programação será a ampliação das possibilidades de atuação profissional. O painel sobre Agronomia Urbana discutirá atividades como manejo de árvores, controle integrado de pragas em ambientes urbanos e uso de plantas medicinais, fitoterápicos e temperos. São áreas que aproximam a Agronomia de questões presentes no cotidiano das cidades e ampliam o campo de atuação dos profissionais.
Realizado pela AEASP e pela Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP), o congresso reúne temas relacionados à formação, ao mercado e às transformações da profissão. Para os presidentes das duas entidades, Glauco Eduardo Pereira Cortez, da AEASP, e Fernando Paoliello Junqueira, da AEAARP, a parceria amplia o espaço de integração entre profissionais, universidades e setor produtivo.
“A inovação só se converte em produtividade quando há pessoas preparadas para aplicar o conhecimento, resolver problemas e acompanhar as novas demandas do mercado. Nosso papel é fortalecer o diálogo entre instituições de ensino, empresas e profissionais, para que a formação acompanhe a evolução da das profissões”, afirma Fernando Junqueira, presidente da AEAARP.
O encerramento do evento contará com a participação de Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV Agro e ex-ministro da Agricultura, que fará uma palestra magna sobre os rumos do agronegócio brasileiro.
O XIII Congresso Paulista de Agronomia será realizado nesta quinta-feira, 22 de outubro, das 9h às 19h30, com credenciamento a partir das 8h, na sede da AEAARP, na Rua Gago Coutinho, 333, Jardim São Luiz, em Ribeirão Preto. A participação é gratuita, com capacidade limitada. As inscrições devem ser feitas pelo site https://cpagronomia.com.br/.
O congresso tem como tema central “Agronomia em Transformação: conhecimento, inovação e protagonismo para o agro brasileiro” e é organizado pela Araiby.
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