Dia dos Pais deve movimentar R$ 29,7 bi, mas 37% dos compradores já estão com contas atrasadas: o que o varejo precisa saber antes de vender parcelado

Se gostou compartilhe!

Dados do SPC Brasil mostram que 104 milhões de consumidores pretendem comprar presentes na data, mas o cenário de crédito exige atenção redobrada do lojista: 41% dos compradores vão parcelar e mais de um terço do público comprador já enfrenta atraso no pagamento de contas

O Dia dos Pais deve movimentar R$29,7 bilhões no comércio e serviços, uma oportunidade relevante de vendas para o varejo em um trimestre historicamente mais fraco. É o que aponta levantamento do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). Mas para o lojista, o dado mais estratégico não é o tamanho do mercado: é a saúde financeira de quem vai comprar. A pesquisa mostra 63% dos consumidores com intenção de compra, cerca de 104 milhões de pessoas nas capitais, porém 2,3 milhões a menos do que em 2025, sinal de um consumidor mais espremido no orçamento.

Para o varejo, isso se traduz em um recado direto: a demanda segue forte, mas o risco de inadimplência na venda parcelada também. Entender o perfil de crédito do comprador antes de conceder parcelamento deixa de ser boa prática e passa a ser proteção de margem.

“A leve retração no número de compradores é o reflexo mais claro de um consumidor operando no limite do orçamento. Para o lojista, isso significa que vender mais não pode vir descolado de vender com segurança. Ferramentas de análise de crédito ajudam o varejo a entender, na ponta, quem tem condições reais de honrar o parcelamento — reduzindo o risco de inadimplência sem perder a venda”  — João Paulo Travasso Maia, Coordenador de Soluções do SPC Brasil

Onde está a oportunidade: ticket médio, categorias e comportamento de pesquisa de preço

O valor médio de gasto previsto é de R$286, com os consumidores planejando comprar, em média, 1,8 presentes — um indicativo de oportunidade para venda casada e cross-sell no ponto de venda. Roupas, calçados e acessórios lideram as intenções de compra (62%), seguidos por cosméticos e perfumes (27%), ferramentas (18%), eletrônicos (16%) e artigos esportivos (16%). Vale de presente em dinheiro ou PIX aparece em 10% das intenções.

O varejo físico segue relevante: 72% dos consumidores pretendem comprar em lojas físicas, com destaque para shoppings centers (27%), lojas de departamento (17%), lojas de rua (16%) e shopping popular (16%). Ainda assim, 47% pretendem comprar pela internet, sobretudo por aplicativos (71%) e sites (57%), o que reforça a importância de um mix omnichannel bem executado para não perder venda entre canais.

A pesquisa de preço é intensa e antecipada: 77% dos consumidores pretendem pesquisar antes de comprar, e 64% desses começam com ao menos duas semanas de antecedência. Isso significa que campanhas e ofertas lançadas na última semana chegam tarde para boa parte do público — o lojista que quer capturar essa demanda precisa se antecipar em pelo menos 15 dias. Nos canais de pesquisa, plataformas de compra e venda de produtos novos e usados lideram (63%), à frente de sites de lojas de departamento (52%) e buscadores (50%).

O social commerce também já é canal de venda relevante para o varejo: 40% dos consumidores já compraram por link direto no Instagram, WhatsApp ou TikTok, e 34% desses avaliaram a experiência como prática, contra apenas 6% que relataram problemas. Entre os fatores que mais pesam na escolha do ponto de venda estão preço e promoções (49%), qualidade dos produtos (45%) e frete grátis (35%).

O alerta de crédito: como o consumidor pretende pagar — e por que isso importa para o caixa do lojista

81% dos consumidores pretendem pagar o presente à vista, a maioria no PIX (52%) e no débito (17%) — uma boa notícia para o fluxo de caixa do lojista. Mas 41% têm intenção de parcelar, com destaque para o cartão de crédito (30%), em uma média de 3,4 prestações. É exatamente nessa fatia parcelada que mora o maior risco de inadimplência futura, e onde a análise de crédito no momento da venda faz a diferença entre uma venda saudável e uma perda de margem lá na frente.

O cenário de crédito do consumidor brasileiro pede atenção: 37% dos que pretendem presentear já estão com contas em atraso, e desse grupo, 73% também estão com o nome negativado. Ainda assim, 14% dos compradores afirmam que pretendem deixar de pagar alguma conta para viabilizar o presente — uma decisão que aumenta o risco de novo atraso e, consequentemente, o risco de default em uma compra parcelada no varejo.

O afeto pesa mais que o orçamento para uma parte relevante do público: 30% reconhecem que vão gastar além das próprias possibilidades, motivados principalmente pelo desejo de agradar o pai (31%) e de impressionar (23%). Para o lojista, esse comportamento sinaliza demanda por parcelamento mesmo entre consumidores com crédito mais apertado — reforçando a necessidade de checagem antes da aprovação, para equilibrar conversão de vendas com saúde da carteira.

“O grande alerta deste ano é que uma parcela relevante de consumidores, mesmo com dificuldade para manter as contas em dia, vai priorizar o presente e recorrer ao parcelamento. Para o varejo, isso é ao mesmo tempo uma oportunidade de venda e um ponto de atenção. É nesse momento que a análise de crédito se torna uma aliada do lojista, ajudando a enxergar o cenário completo do cliente antes de aprovar o parcelamento e reduzindo o risco de inadimplência na carteira”  — João Paulo Travasso Maia, Coordenador de Soluções do SPC Brasil

Recomendações práticas para o varejo nesta data

  • Antecipe campanhas em pelo menos duas semanas — 64% dos consumidores já pesquisam preço com essa antecedência.
  • Reforce a presença omnichannel — loja física, site, app e redes sociais concorrem pela mesma venda.
  • Ofereça PIX e débito com destaque — é a forma de pagamento preferida de 81% dos compradores e reduz o risco de inadimplência.
  • Use análise de crédito antes de aprovar parcelamentos — com 41% da demanda parcelada e 37% dos compradores já inadimplentes, checar o perfil de crédito protege a margem sem travar a venda.
  • Aposte em categorias com maior intenção de compra — vestuário, calçados, acessórios, cosméticos e perfumes concentram a maior parte da demanda.

METODOLOGIA

Público-alvo: Consumidores das 27 capitais brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econômicas (excluindo analfabetos) e que pretendem realizar compras para o Dia dos Pais deste ano.

Método de coleta: Pesquisa quantitativa realizada pela web e pós-ponderada por sexo, idade, estado e renda. Foram coletados 978 casos em um primeiro levantamento para identificar o percentual de pessoas com intenção de comprar presentes para o Dia dos Pais. Em seguida, continuaram a responder o questionário 636 casos, somente com os que tinham a intenção de compra para esta data. Resultando, respectivamente, uma margem de erro no geral de 3,1 p.p. e 3,9 p.p. para um intervalo de confiança a 95%.

Período da coleta dos dados: 23 de junho a 1º de julho de 2026.

Sobre o SPC Brasil

O SPC Brasil é um birô de crédito 100% brasileiro e referência em gestão e inteligência de dados para análise e recuperação de crédito. Com uma estratégia datatech e presente em todo o território nacional, opera um dos maiores volumes de informação do país, com 69 milhões de dados sobre empresas e 263 milhões sobre pessoas físicas, transformando dados em inteligência prática para quem analisa, concede, monitora e recupera crédito. Mais de 1 milhão de clientes confiam hoje nas soluções do SPC Brasil.

 

JÁ SEGUE A REVISTA SEGURA NO INSTAGRAM?

Deixe um comentário